quinta-feira, 15 de abril de 2010

MASSARANDUBA - CASA DE ROÇA NOS VELHOS TEMPOS

CASA  DOS  IRMÃOS  ODWAZNY MEUS   AVÓS  POR  PARTE  DE  MÃE  -  UMA  TIPICA CASA  POLONESA



( Imagem  parecida  - Fonte  internet  2010 )

A nossa  casa   de roça até  se parece como foi descrito no conto do escritor russo de nome Dostoievski que fala sobre a Casa dos Irmãos Karamazov. Mas de fato a casa era de políticos, dos  governos  e dos administradores públicos em sua época, a chamada era  sem leis.Que ainda pode ser comparada  ao velho Oeste Americano onde nós assistíamos os seus famosos filmes no cinema antigo de Hollywood. Quem já não ouviu falar dos justiceiros do velho Oeste, que depois de tanto esperar pela justiça do poder público e nada acontecia. Então apareciam os famosos justiceiros  do velho oeste que resolviam tudo à  bala. Quem da  chamada "velha guarda" ou da "jovem  guarda" não ouviu falar  e assistiu  os filmes do famoso defensor  dos pobres e dos injustiçados que  sempre aparecia  com o seu cavalo preto, em noites de lua cheia  para fazer justiça aos pobres e oprimidos o famoso "Zorro".  E O que dizer do outro filme consagrado pela crítica mundial e  chamado de; Os "Canhões de Navarone" etc. Assim neste conto onde Dostoievski fala sobre a história de uma grande família que caiu em falência, vícios do álcool, crimes de guerra, corrupção política e administração pública e depressão. Casa  em que o escritor  Dostoievski  descreve o seu livro com seguinte título: "Crime e Castigo"  da  violência cometida pela famosa máfia russa em sua época, que era uma injustiça praticada  contra os  lavradores e agricultores de seu tempo, e como também os pobres  e  miseráveis  no  império  russo, onde  vigorava a lei  dos  mais  fortes, e  a  lei  dos  mais  influentes. Mas os nossos parentes e familiares  não partiram  para  a violencia  e crimes não. Eles não partiram para o crime e violência, porque eram pessoas honestas e direitas e corretas. Mas, praticaram uma outra violência, que foi uma "auto-violência", isto é, uma violência contra as suas próprias vidas. Tornaram-se  "beberrões", "ébrios da bebida"  e  perderam  a  sua auto-estima. Não  conseguiam  mais  trabalhar  direito. Parecia até que perderam a  sua fé em Deus e perderam a sua auto-estima e amor pela vida; perderam o amor e alegria de viver pela graça no bondoso Deus, que sempre nos é oferecida gratuitamente em Jesus Cristo Nosso Salvador e  Nosso  bom Ajudador.

O  velho  fogão a  lenha  fazendo  a  boa
comida  dos  tempos  de  roça...

Era  uma  casa  de  roça  de  uma  família  grande   de  descendentes de poloneses.
Meu  avô  tinha  dez  filhos homens, minha  mãe  dona  Juliana  era  a  sua  única  filha. 
Também  se  tinha mais  gente para  trabalhar na  lavoura. 
O  serviço  de  lavoura  era  feito  quase  todo  de  uma  forma  artesanal. 
Naquela época  não  se  tinha  as  tecnologias que nós  temos hoje  em  dia. 
Mas  como  toda  casa  de  roça  sempre  se  tinha  bastante  serviço  para  se  fazer, as  tarefas de roça  parece que nunca  acabavam, sempre se  tinha algo a fazer.  Mal  se  acabava  uma tarefa, já outra  tarefa  diferente  estava  nos  aguardando.
Acordava-se as  4 horas da manhã e  se trabalhava  até  altas  horas  da  noite, ainda  ficava  muita  coisa  por  se  fazer.
Quando se acabava de ordenhar  as  vacas  leiteiras, logo em seguida deveria ir-se e  tratar as galinhas, depois  de  tratadas  as galinhas, lá  estavam  os  cavalos  pedindo a  sua  ração  diária... 
Quando se  acabava de  tratar os  cavalos  lá  estavam chorando de  fome  as  vacas  leiteiras, depois  eram  os  porcos  dos  chiqueiros que  gritavam e  assim  por  diante.
A gente  nunca  podia  parar  de  verdade  e  descansar  como  fazemos  hoje  em  dia. 
Hoje em dia  tudo  já  vem  quase  pronto  em  nossa  mesa. 
As  pessoas  de cidade de dias  atuais  trabalham menos  e  ganham  pouco.
Lá se  tinha  o  velho  engenho  de cana de  açúcar que  se  cozinhava o  famoso  "meladão". Era um derivado  da  garapa, que é a  cana de  açúcar  moída, suco de cana. O suco de cana levemente azedado fervido e  re-fervido se  transformava  em  "meladão".
Também  se  fazia  a farinha  de  mandioca,  biju  e  outros  derivados  da  farinha  de  mandioca.
Também  se  tinha  o  açougue  a  cada  final  de  semana  era  matado um  boi  ou qualquer um  outro  gado  de  corte.
Assim  era  a  nossa  rotina. Assim  era  a  casa  de  roça  dos irmãos
Odwazny. Mas  agora,  eram  onze  horas  da  noite... Alguém  bate  no  portão...? Quem  vem  lá...?  Grita  o  tio Antek...
O tio  Júlio  loge  responde  é  o  seu  Lipinski ! 
Então  em  seguida  gritava  o  tio  Vadek... Ocz  comoter ...!
Que  em  polonês  quer  dizer, venha  compadre !

Lá vem o seu Lipinski...vem com as suas encomendas mal feitas...?
digo mal feitas, porque eram feitas pela metade, dizia sua esposa,
Sua mulher mandava-o fazer as devidas compras de roça,
ele nunca comprava o que devia, ele sempre comprava o que não devia...?
assim dizia a sua esposa dona Baranocha (seu apelido)
Seu Lipinski sempre tomava primeiro suas doses da manguassa, marvada pinguinha,
(o seu chlug)trago em polonês,daí, contava histórias e casos o dia todo no boteko
do seu Fritz, depois seguiria a sua viagem para o alto da colina, onde morava.
Depois ele iria se relembrar de sua lista de compras...?
É claro, se esquecia de tudo ou só poderia se lembrar pela metade de sua lista de compras, como se dizia na roça de Venda.


Naquela época, o tempo não corria... a gente não tinha muita pressa,
Não se contava as horas...? 
Não se contava uma produção feita as pressas...?
Uma produção mal feita, uma produção em série... produção sem qualidade, produtos que são de menos valia para a vida...?
São produtos de menos  valia de  valor R$ 1,99...?
Não se andava com o relógio na mão, para se ver as horas,
Olhava-se para o sol, o sol e a lua eram nossos astros guias.
Na contagem dos tempos, na contagem das estações... na contagem da vida...?
Ou então, olhava-se para a sombra do velho engenho de cana de açúcar  e  se  dizia e  se  contava  as  horas do  dia... ?
Assim, conforme estava a sombra declinada do sol, se dizia:
São doze horas !
Era a hora sagrada, era a hora do almoço, do arroz com feijão e pão de milho, com bastante carne de porco com torresmo,
mais as saladas de pepinos em conservas,
 Que  eram feitas em salmoras com bastante sal grosso e vinagre,
ovos fritos e mexidos, com mandioca amassada frita e meladão.
O almoço sempre era um momento sagrado, se fazia a oração para se agradecer  ao nosso pão de cada dia,
foi um tempo de fartura e se dizia:
Deus seja sempre louvado em Nosso Senhor Jesus Cristo.
A comida era boa, se dizia, o melhor tempero da comida era a fome de roça.
E como se comia... comia um prato, dois, três pratos cheios.
A gente comia para encher a barriga, a gente não sabia se alimentar,
mas se dizia:
Vamos encher a barriga, era isso mesmo que a gente fazia.
Sem muita etiqueta, sem cerimonias vazias enfeitadas com
as vaidades humanas,
A franqueza era uma meta dos caipiras de roça...?
A verdade e a honra eram as nossas linhas mestras para a vida.


Tempo de roça se tinha mais hospitalidade, mais camaradagem,
As pessoas e as famílias, parece que eram mais amigas,
mais prestativas, Não se tinha a televisão, nem Internet, nem computador...?
A conversa na varanda da casa, assim se passava o tempo nas noitadas afora...


Falando em conversas e  causos o seu Lipinski era um especialista,
ele era como se diz nos ditados:"Transformava o ouvido em vista
"Suas palavras eram contadas em figuras de linguagem,
que nos faziam delirar de emoção,então,a gente sempre queria ouvir mais outro caso,  mais outra história, mais outra figura, mais outro comentário...
Eram dez horas da noite, o homem estava falando, eram onze horas da noite, mais conversas e rola-papo...rola-papo sem fim...?
Ouvia-se os cachorros do mato uivando nos matagais dos morros,
Nos  morros  e  colinas  do Município  de  Massaranduba.
A lua cor de prata continuava cintilante lá no céu.


Meu velho avô seu Janek Odwazny a pedido de seu Linpinki,
Deveria buscar a Santa Bíblia que era escrita em polonês,
Bíblia esta que datava dos anos de 1858 publicada pela Sociedade Bíblica polonesa,
Era uma bíblia grande com bastante ilustrações, também era chamada de:
História Sagrada, sagrada pelo seu conteúdo e seu respeito que se tinha.
Agora, não se tinha pressa mesmo, o seu Lipinski já estava um pouco melhor...?
depois do seu “pórre” de cana brava, 
agora estava melhor, mas, nem tanto...?
estava como se diz no datado:
Estava mais ou menos...?
Parecia que o homem se transformava em um grande pregador, ficava muito animado com as histórias da bíblia, 
meu avô lia ou recitava de cor  em plonês...?
Recordo  ainda de uma passagem bíblica da qual ele muito gostava eram: A História  das  dez  pragas...? Falava  nos
sobre as dez pragas que Moisés lança sobre o Egito.
Que mensagem! 
Aqui parece que a “marvada pinga”não o atrapalhava em nada, 
 muito pelo contrário,o deixava mais animado para comentar e pregar.
Ele não sabia ler, meu avô era o seu leitor e ele era o pregador.
Vale lembrar  que,  a  luz  de nossa época era  o  velho  ensebado  lampião a  querozene.
Que lançava  ao  seu  redor uma mistura  de fumaça preta e luz,
que  lentamente ia queimando  na  sala  e  outro  lampião estava  bem  ao  centro  da  mesa  da  cozinha.
Que tempo  animado !
Que  momento feliz que ficou na saudade!


LIÇÃO  DE  HOSPITALIDADE  E  PACIENCIA !


Meu  avô  ia  dormir  com as  galinhas  como  se  diz  no  ditado:
Isto é, 8 horas  da  noite  em  tempo  de  roça, já  era  hora  de  dormir, hora  de  estar  na  cama.
Em  compensação  as  4 horas  da  manhã  no primeiro cantar  do  galo da  madrugada, já  era  hora  de  acordar  e  levantar  e ir 
tratar  a  bicharada  de  roça.
Tratar  e  dar  a  devida  ração, aos  bois, aos pintos  de granja, tratar   os  cavalos, tratar  as  vacas  leiteiras, tirar  o  leite,
ordenhar a vaca  leiteira  etc.
Coisas  e  tarefas  do  tempo  de  roça.
Porém, quando  vinha  o  seu  amigo  Lipinski, digo  o seu maior  amigo, ele o tratava  com  toda  a  hospitalidade  e  respeito.
Vale  a  pena  ressaltar  que, ele  vinha  bêbado  e  todas  as  vezes
que  vinha, já  vinha  "bem  turbinado", isto é, bem  bêbado.
Mas  ele  chegava  pelas  9 ou  horas  da  noite, no  sítio  isto já  é
hora  avançada, já  é  quase  madrugada.
Pois  as  tarefas  de  roça  não  acabavam  nunca, sempre  se  tinha
algo  a  fazer.
Por  isso  a  gente  vivia  cansado, muito  cansado.
Mas  mesmo  cansado  e  meu  avô  já  tinha  neste  tempo  os  seus
quase  70  anos  de  idade não  reclamava, atendia  bem  o  seu 
amigo  em  sinal  de  respeito  e  hospitalidade.
Hospitalidade  esta  que  quase  se  perdeu  nos  dias  atuais,  quando  se  vai  visitar  alguém  hoje  em  dia, seja  amigo  ou  seja
algum  parente, se  é  mal  recebido  em  qualquer  hora  do  dia  ou
da  noite, são  poucas  as  pessoas  que  ainda  conservam  e  valorizam  a  hospitalidade.
A  hospitalidade  e  respeito  são  os  pilares  mais  importante  de  uma  família, de  uma  comunidade  ou  de  um  povo.
Vamos  resgatar  estes  pilares  mestre  dos  velhos  tempos  de  roça.
O  trabalho  é  importante, mas  as  pessoas  são mais importantes.  Principalmente, os nossos  parente  e  familiares  são  as  pessoas  mais  importantes  da  vida, sem  eles  não  podemos  viver.
Que  Deus  nos  ajude  em  sempre  conservar  a  hospitalidade  e 
as  boas  maneiras  de:
Respeito,  Amor  ao  próximo e  carinho  para  com  todos
os  seres  humanos. Como  nos  canta  o  cantor dizendo:


Mas, aqueles anjos que no tempo eu perdi, a companhia deles eu perdi...?
Aqueles anjos que nos guardavam e protegiam em nosso tempo de infância e juventude... ! 
Oh como era consoladora a sua presença cheia de esperança e fé!
È correto a poesia cantada pelo cantor Roberto Carlos que nos diz:


Mas aqueles anjos que agora já se foram, depois que eu cresci...
Meu mundo agora parece tão distante...?
Agora podemos dizer como nos escreveu o salmista:
"O anjo do Senhor acampasse ao redor dos que o temem e os livra..."


Alfonso Czaplinski

Um comentário:

  1. Olá Tio Alfonso,Gostei Muito Do Que Voce Escreveu
    Gosto Muito De Lembrar Da Família
    Abraços De Seu Primo Lucas

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