sexta-feira, 16 de abril de 2010

QUE SAUDADES DO VELHO TREM... DA MARIA FUMAÇA !



Relembro-me com saudades deste tempo de criança, tempo da inocência,tempo que o tempo não esquece jamais, assim nos canta o poeta.
Oh como eu gostava! 
Ao ver o trem passar, nas estações, nas curvas das encostas dos morros, o barulho dos seus vagões,em especial, como eu adorava ver as pessoas felizes olhando para nós e nos abanando com as mãos e nos dando os adeus, os até logo, os Tchaausss... 
Oh como era sentimental e romântico!
Ver a nossa namoradinha nos esperando na estação nos tempos de roça! 
A Maria Fumaça começou a circular em nossa região nos  meados dos anos de 1900 a 1985,e em algumas regiões de nosso país foi  além...?
Em nossa região foi a era dos trens a vapor, e os depois vieram as maquinas de trem a Diesel. Nesta época, o trem de carga era chamado de"trem-misto" isto é, o trem levava em seus vagões uma mistura de carga e claro, tinha os passageiros, que eram chamados de segunda ou terceira classe, assim era chamado neste tempo. 
Nesta época, os trens funcionavam a vapor isto é, a maquina do trem era uma enorme caldeira, que puxava os vagões. Maquinista era uma profissão de destaque e respeito. Ouvia-se falar que, um funcionário maquinista antigo de carreira, da extinta (Rede Ferroviária Federal) ganhava um salário mensal em torno de (20 sm)
Maquinista era homem que fazia de tudo para que não faltasse fogo em sua caldeira, para que o trem não parasse a beira do caminho, atrasando a viagem que já era lenta e cheia de conversa e contos em seu interior, tudo era motivo de festa. Nesta época não se tinha pressa. A maquina do trem a vapor, fora apelidada carinhosamente pela população de, dona "Maria Fumaça". 

Nesta época surgiu o famoso "maquinista Miquimba", ele era um homem que fazia a rota que vinha desde o porto de S. Francisco do Sul e ia até o Alto da Serra de Mafra Rio Negro-  divisa  PR- SC.
O Miquimba fazia muito sucesso entre a mulherada "mal amada". Diziam os seus amigos e adversários que,quando ele vinha com a sua maquina de trem fazendo, fuk, fuk ou ték... ték..e apitando feliz nas curvas, acrescentado ao barulho dos seus vagões, com os espirros fortes da dona Maria fumaça, com a fumarada que fazia-se em sua volta, a mulherada ao longe, gritava assim:
Vem miquimba ,Vem Miquimba... Vem Miquimba... Vem nos amar...? Vamos deitar e rolar ! 
Miquimba como era malandro e apaixonado, trazia em sua sacola cheia de presentes ao seu mulherio.

Dizem: que ele distribuía ao seu fã clube de mulheres, o que mais elas queriam e gostavam, e talvez, não recebiam em casa de seus maridos. 
Distribuía: sorrisos,distribuía abraços,beijos e carinhos, e claro, em sua sacola ele levava os presentes que talvez, mais encantavam a “mulherada” da época. 
Eram presentes de perfumes, balinhas, calcinhas e claro, florzinhas, assim as mulheres não resistiam aos seus encantos de "paixonites" e desmaiavam em seus braços.
Assim caminha a nossa sociedade, assim caminha a nossa humanidade, cheia de carência, cheia de promessas de amores que não se realizaram, cheia alegrias nos casamentos formais que levam aos desencantos, frustrações e separações de casamentos que são mal feitos. Assim nos adverte Cristo Jesus dizendo: 
Oh geração má e adúltera que está doente e pede um sinal de fé. Não consegue viver em paz em seu lar, em seu casamento, por causa da dureza de seus corações e seus pecados sexuais. 
Disse-nos,o Mestre dos mestres Cristo Jesus o nosso Salvador.

Perguntamos: Será que poderemos um dia ter de volta os nossos trens antigos...? trem a moda dos velhos tempos de roça...?
Poderemos quem sabe, uma dia,ver circulando de volta os  velhos trens, nem que seja apenas para dar aquele passeio...?
Passeio este, que se vinha desde o Porto de São Francisco do Sul e poder viajar sem pressa até o Alto da Serra, Mafra, Rio Negro,divisa PR-SC.etc.
Fico aqui pensando, é certo o dizer daquele poeta que nos canta em sua música da saudade:

Oh que saudade que me dá...!
Oh que saudade que eu tenho...!
da velha cuíca, do pandeiro e do tamborim...!
Oh que saudade que me dá dos velhos tempos! De emoção, sinto até vontade de chorar!

Eu lhes peço: Meus amigos e autoridades de Santa Catarina e empresários da Malha Ferroviária.
Empresários que irão comandar os trilhos de trens do futuro e do passado.
Tragam de volta o nosso velho e saudoso Trem!
Tragam de volta, a nossa querida e saudosa dona "Maria Fumaça" nem  que  seja  apenas para fazer as viagens de turismo e passeio!

ALGUNS   DEPOIMENTOS  DE  PESSOAS QUE  TRABALHARAM  NA  REDE (FERROVIÁRIA)
Depoimentos  de  pessoas  que também  sentem  saudades  dos  velhos  trens, como eu, assim, como todos nós sentimos, saudades...?
Assim  se  expressa José Ramiro um ex-funcionário da Rede Ferroviária:
Eu deveria fazer as  contas exatas seja a maquina ou seja de  cor ,de cabeça, deveria dar uma conta exata. Senão, eu teria   grandes  problemas...?
Velha  função de: Calculista e faturista.

"Quando passei para o faturamento, comecei a deslanchar no serviço. Um dia o encarregado perguntou: 'Você sabe escrever à máquina?' 'Sei, mas estou dês-treinado. "Então comecei a treinar." Fiquei treinando faturamento simples, na máquina, mais ou menos um mês. Quando eu fazia 100 faturas por dia, já era um craque. E comecei a caprichar. Depois o encarregado achou que eu tinha que ir para a seção de cálculo. 
Éramos em quatro. Certo dia  faltaram três funcionários, e eu fiquei sozinho. Era sábado e o armazém estava entupido. 
Deveria dar conta de três mil e 500 faturas! Deveria supervionar 15 máquinas trabalhando. Trabalhei 8 horas naquilo, sem parar, com uma maquininha de calcular manual. A máquina era manual, mas  eu fazia tudo sozinho.
Eu fiz 3.500 despachos, assim  nos diz  seu  José  Ramiro. 
Despachos de toda natureza, pequenos, grandes. Eu tinha as tabelas de fretes e fazia os cálculos para cada ferrovia, para calcular o frete a ser pago pelo despacho que estava fazendo. Por exemplo: de São Paulo a Barretos tem uma quilometragem. 
Você vai entrar em duas ferrovias, que eram a Santos-Jundiaí e a Companhia Paulista. Na Santos-Jundiaí era 14,10 por mil quilos, na Paulista 12,20. Eram porcentuais diferentes para cada trajeto. Juntava tudo, somava, multiplicava e dava o frete certo."
Chefe de estação
"Passei de faturista para calculista, depois para classificador, que já era um nível maior e chefe de estação. O chefe da estação controla a estação e coordena todo o serviço: manobras de vagões, saída e chegada de vagões, expedição de cargas, além de todo o pessoal da estação. 
Eu era responsável por tudo: pelo pessoal da manobra, pelo pessoal do armazém, conferentes, bilheteiros e todo pessoal inerente à estação.
Na Moca, eram uns 100 funcionários, em três turnos. Já a estação ferroviária do Pari é só de carga. Só no armazém eram 36 vagões de carga por dia. Os volumes grandes eram carregados no pátio - outros 20 vagões por dia, mais ou menos. A gente coletava mercadoria na casa do cliente e os caminhões descarregavam no armazém, cada volume com seu destino.
No armazém tudo era separado e depois carregado pela ordem de descarga.
A primeira carga a ser descarregada é a última a carregar. A última a descarregar, era a primeira, e assim por diante.
Cada lugar tem o seu sistema de funcionamento, mas você tem que conhecer o departamento de pessoal  deve conhecer correspondência, precisa conhecer as mercadorias e uma porção de coisas.
Você é o chefe, e o chefe tem que saber de tudo.
Não se pode dizer:
Ah, depois eu faço! Não!
Na ferrovia não se faz depois, se faz agora...?

Pena e vergonha.
"Hoje a ferrovia dá “pena” de nos mesmo,e  da “pena”  de nossa  história  que  era  cheia de  bons exemplos,e  da  dedicação de muitos funcionários, do trabalho  honesto  e  bom  atendimento  ao nosso  público.
Quem conheceu a nossa ferrovia 40 anos atrás, e o que vemos hoje em  dia...?
Dá pena e dá vergonha. Continua Ramiro.
Foi uma mudança tão radical, mas nada para melhor, tudo sempre para pior.
Em lugar de progredir, regredimos...?
Não se tem mais manutenção...?
Não se tem mais hierarquia...!
Não se tem mais nada...!
A ferrovia nos de hoje está um caos.
O trem vai com porta aberta.
"Temos até surfista no trem". diz Ramiro,
Nadando de braçadas...?
No trem acontece de tudo:
Tráfico de drogas, assaltos, acontece de tudo mesmo.
Temos até relação sexual dentro do trem...?
Mas quem  sabe, um  dia tudo  isso  irá  mudar  para  melhor...? (adaptado)  ( Conforme relatos  de José  Ramiro F. Rocha   Ilha  da  Madeira )  

CONSTRUÇÃO  DE  UMA  NOVA  MALHA  DE  REDE   FERROVIÁRIA  DO  MERCOSUL?
NOSSAS  ESTRADAS  ESTÃO  SUCATEADAS ?  
NOSSOS  TRENS  SÃO  DE  CEM  ANOS  ATRÁS ? 
DAQUI  A  DEZ   ANOS  TUDO  ESTARÁ  CONGESTIONADO ?  VIA  AÉREA  E  VIA  FERREA?
Que  Deus  assim  nos  ajude  a  preservar  a  nossa Ferrovia. A Nossa Ferrovia precisa de uma  grande  mudança tecnológica.
Precisamos de grandes investimentos na construção de novas linhas de trens, a malha da Rede  Ferroviária neste país  gigante que é  o  nosso  Brasil. Estamos no atraso de aproximadamente cem  anos...? Em relação a nossa Malha Ferroviária.
Nossa linha está seriamente danificada e  desatualizada. A Nossa Rede foi construída  no  tempo  do Brasil  imperial  ( em  meados  dos anos  de  1900  um  pouco  antes) Hoje tudo isso  ficou  na  mente  e  na  saudade  dos  velhos  tempos. Mas não  atende  mais  a  nossa  demanda  de  século  XXI, chamado  de  século  da  era  eletrônica e  da  era  de  novas  tecnologias  e  da  era  do  computador.
O nosso Mercosul precisa urgentemente  desta  Grande  Rede  de  Malha Ferroviária. Para ligação Norte-Sul e  conexões  Leste-Oeste. Para  ligação com os  nossos países que  compõe  o bloco do Mercosul. 
Pois as  nossas  Brs. as  nossas  auto-estradas  da  Br  101  e  outras  já  estão  ultrapassadas  e  congestionadas, mesmo duplicadas.
Precisamos de Trens modernos. Precisamos também  conservar a nossa natureza  e  a nossa vida.
Vida  essa  que  temos, pois assim  disse-nos  o  Mestre  dos mestres que, a  nossa  vida  vale mais  do  que  o  mundo  inteiro.
Porque  Deus  amou  o  mundo  de  tal  maneira  que  deu seu  filho  único, para  que  todo  o  que nele  crer  tenha  vida  e  vida eterna. Portanto, que  todos  nós possamos andar  sempre  reto nos  trilhos da  vida.
 Deus  seja  sempre  Louvado em Cristo Jesus!    
  Alfonso  Czaplinski


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