terça-feira, 29 de maio de 2012

HISTÓRIAS DE PASTORES E CAMPOS MISSIONÁRIOS

La na casa do seu Oscar a gente se hospeda ( artigo in  memorian)
 "Porque eu  era  forasteiro  e  tu  me  hospedastes..." Jesus 
                                  Templo da IPB Imbituva - PR                                 
No  ano  de 1982   fui  designado  como pastor  missionário  pelo  então  Presbitério  de  Ponta  Grossa cidade do Paraná.E meu campo missionário  abrangia as Igrejas  dos municípios de  Prudentópolis  e  Imbituva cidades e municípios do Paraná. E  que  deveriam  ser assistidas por mim, eram  os  campos  das  Igrejas  Presbiterianas de Imbituva,Manduri  e Prudentópolis. Morava  com  minha  família na  cidade  de Imbituva. A casa  pastoral  em  Imbituva  ficava  nos  fundos  da  Igreja. Era  uma  casa grande  de  quatro dormitórios, era uma  casa de madeira e  estava  velha  pelo  uso  e  pelo  tempo. Muitos  missionários  estrangeiros  passaram  por  lá. E diga-se de passagem, tinham muitas histórias para nos contar. Estes grandes servos do Senhor  que gastaram-se na obra  do reino de Cristo, moraram nesta  casa pastoral da  Igreja, e  também deixaram as  suas marcas aqui de seu  trabalho na obra do reino de Cristo. Lá tínhamos  um  fogão  a  lenha, no  inverno  tomava-se  o  famoso mate de chimarrão  ao lado deste  famoso fogão à  lenha, com aquele gosto  de bate-papo  gostoso movido ao mate  quente e amargoso. E enquanto alguém distribuía e servia-se  a famosa  cuia de chimarrão quente, que deveria passar de mão em mão.Pois o frio nessa região na época do inverno chega a  zero grau (ºgrau). E enquanto isso via-se  quando  lentamente a lenha do fogão ia sendo queimada,e as brasas vivas  iam  saltando no braseiro do velho fogão a lenha; e assim ia aquecendo  a todos em nossa volta.

E  isso ainda era acompanhado de pinhão, do  quentão etc.  em  companhia  dos  irmãos  da  Igreja. Era  costume  do  local,  todos  gostavam  de  vir e visitar  o  pastor  e  tomar café e ou tomar  chimarrão conosco. Eu  como não  estava  acostumado  a  tanto  chimarrão; Pois  era servido o  chimarrão  das  7 horas  da  manhã,  era  o  chimarrão  das  11 horas  da  manhã,  e  tomava-se  o  chimarrão  das  17  horas  das  tarde.  Eu  estava  ficando  "verde"  de  tanto  tomar  da  erva  amarga  do  chimarrão. Mas tudo isso era  uma  grande  alegria para mim e para  minha família, digo que era  uma  alegria  sem  fim, em  poder  servir e  hospedar  aos  irmãos  que vinham  de  todos  os  cantos  da  cidade  para  nos visitar. E hoje eu  recordo-me de que tudo isso  ficou  nas  marcas  do  tempo, e  nas  marcas  da  saudade  de  um  tempo  que  não  volta  jamais.Tudo isso ficou na história  dos  velhos  missionários  que  um  dia por  lá  passaram  e  como  também  nós  passamos por lá. 
AS  VISITAS  A  IGREJA  PRESBITERIANA  DE  MANDURI - PRUDENTÓPOLIS  PR
                             
                        Foto  Igreja  Presbiteriana  de  Manduri 
                                  
Essa  Igreja  tem  uma  história  muito  interessante  na  Evangelização  do  sertão  do  Paraná nos anos de 1880-1950 e chegando  até  os  dias  de hoje.Eram missionários itinerantes que vinham  de  Curitiba  e  passavam  por  Castro, Imbituva etc. e que  dirigiam-se  ao Norte do Paraná.E assim iam ao Norte Novo,Norte-Velho como ainda é chamado até os dias de hoje.A parada  missionária depois de pois de Ponta Grossa era sem dúvida a Igreja Presbiteriana de Manduri.Lá tinham a parada obrigatória todos antigos missionários e pastores que  dirigiam-se para o sertão de Guarapuava,Cascavel,Foz do Iguaçú etc.E assim esses servos do Senhor deveriam parar em Manduri,e deveriam passar pela  Igreja  de  Manduri.E que neste tempo esta era uma  Igreja  missionária,acolhedora e muito ativa nesta  época dos antigos missionários  presbiterianos  que vinham  de  todas  as  partes  do  Brasil. 

E era assim distribuída a nossa viagem missionária e assistência pastoral na época.Em  uma  semana  de  cada  mês eu deveria ir e visitar toda a irmandade dessa Igreja. Deveria  ir  sem  pressa, pois  cada  família  gostava  de  passar  o  dia  com o  pastor  e  sua  esposa.Orar pela família, pelos filhos, tomar café,tomar chimarrão,contar casos, ouvir casos etc. E deveríamos ir os dois,pastor e esposa juntos e  acompanhados, senão  tinha-se  problemas  por  lá, digo com as irmãs da Igreja. Se  algum  pastor  ou  missionário fosse a sós  sem  a  sua  esposa. Logo  alguém perguntava  em tom  repreensivo e diziam:

"Porque  a  sua  esposa  não  veio ? Pois todos nós  precisamos  muito  dela  por  aqui para nos  ajudar e  aconselhar...? E era assim mesmo; quando cheguei pela  primeira  vez  nesta  Igreja, visitava um e falava com outro e logo ao  final  do  dia  alguém  já  perguntava:Irmão  pastor! Onde vai  se hospedar  hoje...? Em  seguida  alguém  já  respondia:Vai  se  hospedar  na  casa do seu  Oscar Rickli. E assim eu dizia:Tudo  bem!E em seguida  para lá fomos  nós  conhecer esse sujeito  tão  simpático  e  hospitaleiro, e  que  gostava  de  hospedar  pastores  e missionários de longas  datas, e assim era a tradição de hospedagem de pastores e  missionários  com ele  e com  todos os  seus  pais e avós.

Hospedar bem era tradição desta família Oscar Rickli. E quando fui trabalhar na Igreja de Manduri na segunda  viagem missionária.Visito um,falo com outro irmão,logo alguém perguntava ao entardecer;Pastor aonde  vai  se  hospedar  hoje? E a resposta  era sempre a  mesma, na  casa do  seu  Oscar. Não  que  lá  não  tivéssemos  outros  irmãos hospitaleiros e hospedeiros.Na Igreja tínhamos também um grande amigo chamado Wilson Rickli que sempre nos hospedava em sua casa. Essa  era  uma  Igreja  alegre,  feliz  e  muito  hospitaleira. Era uma  Igreja  de sítio; e  havia lá  poucas  pessoas  em condições  para  hospedar, pois  a  maioria  dos  irmãos  eram  pessoas  simples  de  roça, e  não  tinham  as  condições  adequadas   para  acomodação  do  pastor  e  sua  esposa e  filhos.
                 Em  figura  abaixo  Queda  d' Água  de  Manduri - PR
                                                                                                                  
                                                      
A casa do seu  Oscar e dona Vasti era  uma  casa acolhedora; uma  casa  de  campo.Ficava  situada  ao  lado  de  um  rio  de  cachoeiras  de  pedras  e   com  uma  boa  queda  água. Em  volta da residencia tinha  um  pasto  grande,  com  grandes  pés  de  pinheiro  em  volta  da  casa. A  casa  era  sempre  bem  limpa e  arrumada; sentia-se  o  cheiro suave das flores dos pés das  laranjeiras, ouvia-se  o  canto  dos  sabiás que  entoavam  na  copada  do  pinheiro, e  de  outro  lado  cantava  alegre  o  bem-ti-vi. E  na  mata  mais  adentro  o  Inhambu  ia piando  e  chororó  cantando... como  nos diz  a letra da música sertaneja dos  velhos tempos.E  a  noite  acompanhado  do  grito e dos  uivos dos  graxains  e outros  bichos selvagens. Também  ouvia-se  os  grilos  que  tilintavam  e  as  corujas  que  piavam nas noites a dentro.Assim  era  esse  jardim  campestre  que  a  mão  do  Senhor  tinha   abençoado.

E em nossas viagens missionárias era  assim mesmo  e tinha-se  tornado quase um  vício; Nós  íamos  almoçar  ou jantar e ou  hospedava-se por uma noite em casa  de algum  dos  irmãos  da  Igreja,e  o resto da semana retornava-se a casa do seu Oscar.E que sempre nos aguardava de braços abertos.Quando chegava-se a casa do  seu  Oscar depois dos cumprimentos e saudações,e assim  ele já  ia dizendo e adiantando em tom de advertência;Não  vamos falar  muito de bíblia e nem fazer  muita oração, vamos  falar  de  outros assuntos. Como por exemplo assuntos e temas que  sempre  eram  escolhidos  por  ele  mesmo. Gostava de  falar sobre  a  vinda e  história  dos  antigos  missionários  estrangeiros  dos  anos  de 1880  em diante, e  que  vinham  dos  Estados  Unidos, vinham  da  Alemanha, da  Holanda  e de outras  partes  do  Brasil  e  do  mundo. Uma  história  que  ficou  na  saudade  era  do missionário Newmann  que vinha da Alemanha e era um alemão de estatura alta e gordo de 140 Quilos aproximadamente.E quando vinha montado em  seu  cavalo  de  montaria nesta  época, pois esse  era o único meio de transporte de roça na época. Dizia  o  seu  Oscar pelos contos e  relatos que lhe contaram seus  pais  que, quando  ele  vinha  chegando  perto de  sua casa  com  o  seu  cavalo  de  montaria  ao  lombo  do  animal, o  animal vinha torto e arcado pelo peso do missionário Newmann.

Também  falava-se  muito  das  histórias do missionário  da  família que era chamado  de  Rev. Martinho  Rickli, homem  bom  e piedoso que  viveu  para  evangelizar  os  seus  parentes,e em  especial procurava  a  família dos Rickli  que  estavam  espalhados  em  quase  todos  os  municípios  do  PR.Assim  era  o pastor Martinho  um  homem  que  viveu  para o  serviço do  reino de  Cristo Jesus. Sempre tinha  uma  palavra amiga e uma palavra de  fé  e incentivo  aos  seus  parentes. E bem como a  todos  as pessoas em geral,e assim fazia em todas as Igrejas que passava em sua labuta missionária.

E assim era o temperamento do seu Oscar, gostava  das  histórias  missionárias e gostava de contos e casos.Ele como sempre estava empenhado nos sindicatos rurais da cidade e  comprometido  com  a política da Prefeitura local; ele gostava de falar e ventilar esses assuntos com os pastores  e missionários  que  para  lá dirigiam-se  isto é,  para  hospedar-se  em  sua  casa. Mas  hoje  em dia  ele  já  não  está mais  por  lá; o Senhor  o  tomou  para  si, irmão  Oscar morreu  de  uma parada  cardíaca. Quero  encerrar  essa  minha  reflexão  com  a  palavra do  Senhor  que  nos  diz  assim:

"A  nossa  vida  é  comparada a uma  neblina  que  hoje  cai... e que vindo  o  sol  logo  desaparece..." Mas  depois  de  terem  passado  trinta anos,ainda posso relembrar  o  exemplo  de  vida  e  do  testemunho  do  seu  Oscar. É  como  nos  diz  aquele  canto  da  música  popular:  Naquela  mesa  e  naquela  cadeira  da sala  ele  cantava...  e  ele  contava  histórias: ..."Naquela  mesa  tá  faltando  ele  e  a  saudade  dele  está  doendo  em  mim..." 

Em figura abaixo Igreja Presbiteriana de  Curitiba - Fonte de imagem Internet 2012
1996 - ANO  DA  MORTE  DO  PASTOR  E  DEPUTADO  FEDERAL  ELIAS ABRAÃO  

Conheci  o pastor Elias em meados dos anos de 1973 na cidade de Curitiba.Nessa época eu havia dado baixa do quartel, estava em crise existencial,longe de minha família,passando por momentos de aflição e angústia,estava sem preparo acadêmico adequado,e sem rumo em minha vida profissional. Nessa época eu estava visitando várias  Igrejas da capital curitibana,visitava a Igreja Assembleia de Deus, visitava a Igreja Quadrangular, a Igreja Metodista, a Igreja Luterana etc.Mas nenhuma dava-me a devida acolhida de que eu estava precisando.Foi quando um belo dia eu conheci a Igreja Presbiteriana de Curitiba da Rua Comendador Araújo em Curitiba.

E foi nessa Igreja que Deus falou profundamente comigo e aceitei a plena fé em Cristo Jesus e sua salvação. Como eu vinha do interior de Santa Catarina e não tinha nenhum preparo para enfrentar  a  vida nos grandes  centros urbanos.Após minha saída do quartel me dava medo de enfrentar a concorrência pela sobrevivência  na  grande  cidade de Curitiba. E diga-se de passagem, nesse tempo tínhamos a ordem nas ruas e nas praças, sob o duro regime militar que comandava o nosso Brasil;E já havia-se tornado um vício, pois  era sem sobreavisos a gente freqüentemente via  os  tanques  rolando nas ruas e os soldados armados  que posicionavam-se para o ataque aos civis nas ruas,sentia-se  como em um  clima  de  guerra; pois  lá estavam os soldadinhos trajados com seu uniforme de cor verde-oliva espalhados  pelas ruas e pelas praças  dos  grandes  centros  urbanos do país. E foi nesta Igreja Presbiteriana que eu despertei o meu dom maior para o chamado ao campo missionário, e assim fui designado para fazer os estudos acadêmico-reparatório no  SPS ou Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas -SP. E  tudo isso aconteceu no pastorado e na presidência da Igreja e pastoral do então Rev. Elias. Foi muito bom e dou graças a Deus pela vida desse grande  servo de Deus e pastor da Igreja Presbiteriana.Em foto abaixo rev. Elias  Abraão - Imagem tirada  da Internet  2012

TRAGÉDIA  E  ACIDENTE  AUTOMOBILÍSTICO  NA  BR. 376 - CURITIBA-PARANAGUÁ
Era uma noite fria e lá pelas  3 horas da madrugada,e que  apos uma reunião de lideranças políticas, e envolvendo os ícones  do partido  do PMDB  do PR - E que juntamente com o então governador do Paraná o Sr. Roberto Requião,o deputado estadual Aníbal Cury e outros líderes e deputados, e  no meio deles  estava o deputado federal Elias Abraão que estava no meio de seu mandato político.Pastor Elias era um grande líder carismático e intelectual,bom orador pregador e grande amigo de todos, e assim fazia amizade com todas as pessoas,quer seja dentro de sua Igreja como fora da Igreja, todos gostavam dele, ele se fazia amado por todos; e ele era detentor de um temperamento alegre de estilo "bonachão", era um homem moreno de estatura alta de aproximadamente 1.95cm,meio gordo;e todos nós o chamávamos de "Turcão"esse era um nome carinhoso que se dava a ele.E assim quando ele encontrava as pessoas nas ruas ou em qualquer lugar, ou na rua XV,uma das principais ruas da cidade de Curitiba, ele comprimentava a todos e a todas, e assim fazia os seus "Saramaleikos"políticos-pastorais nos cumprimentos,isto é, beijava quase todas as pessoas no rosto, quer sejam homens,mulheres ou crianças,este era o seu costume de turco,ou melhor dizendo de Sírio-Libanês do qual ele era descendente. E assim inicialmente a gente estranhava com essa sua atitude, mas depois com o decorrer do tempo, todos iam se acostumando de receber;"O beijão do turcão"ou melhor dizendo um beijo no rosto do nosso pastor turcão.
E na sua morte violenta, tudo aconteceu assim de repente sem avisos prévios;logo após a reunião de clima quente dos ânimos entre os grandes líderes-políticos, e após a despedida, lá vinha ele na madrugada afora a sós no seu carro pela Br. 376 de Paranaguá a Curitiba. E de repente não se sabe ao certo;ele perdeu o controle de seu  carro que atravessa a pista em seu sentido contrário, e vai bater com seu carro na mureta que separa a pista dupla da BR Curitiba-Paranaguá,e que em alta velocidade vai bater em um único caminhão Truck lá pelas 3 horas da madrugada, que vinha carregado de soja e vinha descendo a serra com destino ao Porto de Paranaguá. E ao mesmo tempo o caminhão bate de frente e arrasta o seu carro em média por 50 metros, e vai cair com todo o peso de sua carga em cima de seu carro Vectra, onde ele fica esmagado entre as ferragens e assim morre,segundo informações da Polícia na época, e segundo informações que nos falavam e comentavam os Jornais e TV. da época. E como podemos imaginar foi um acidente que não deu nenhuma chace ao nosso rev. Elias escapar com vida, esse foi o seu pré-destino e sem chance para livrar-se, pois tudo aconteceu de uma forma rápida e violenta.

 E ainda atrevo-me a comentar que segundo informações paralelas  de algumas pessoas do serviço de saúde; a causa poderia ser  uma "morte dupla" que teve  o nosso pastor. Pois nos dizem os comentários que, ele assim morreu; uma das hipóteses  seria uma parada cardíaca ou infarto que estava acontecendo quando ele estava dirigindo o seu carro, e assim o seu reflexo de motorista, em querer parar o seu carro e ir para o acostamento,e assim nesse momento ao invés dele pisar no freio-ele pisa no acelerador,quando começou a infartar-se e sem querer tinha pisado no acelerador de seu carro Vectra que disparou em alta velocidade morro acima,e assim vai e atravessa a pista seu sentido contrário e vai chocar-se de frente com o caminhão Truck carregado de soja que vinha descendo a Serra.

Que coisa! A nossa vida está mesmo nas mãos de Deus. Dessa não deu para escapar mesmo! Foi um grande choque para todos nós, eu não conseguia acreditar de que isso fosse verdade. Andava pensando nessa tragédia por vários dias,semanas e até meses. Confesso na saudade e no amor cristão e na amizade que nos unia como irmão e pastor,levou  muito tempo para eu poder aceitar que isso fosse verdade, mas era real mesmo. Ele tinha morrido mesmo; e a saudade tomava conta de meu coração; O Senhor o tinha chamado.E assim perdemos mais um grande  líder do presbiterianismo do Paraná. Nesse momento a Igreja Presbiteriana entra em luto e todos nós choramos a perda desse grande líder e servo do Senhor. Deus o tinha chamado para si, LOUVADO SEJA O NOME DE NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO! Aos seus parentes e amigos, e em especial a dona Magali sua esposa, nossa irmã e amiga, as nossas lágrimas solidárias e um grande lamento pela perda desse servo do Senhor.

 ANO DE  2012  MORTE  DA  MISSIONÁRIA  DONA  MARIA  DE  MELLO  PITTA 
Caro  Pitta filho, amigos, colegas e familiares  -  Paz   seja  convosco!
Quero externar o nosso sentimento de pesar pelo falecimento de sua mãe dona Maria de Mello Pitta grande missionária que trabalhou juntamente com seu marido Rev. Pascoal em  suas passagens nestes campos brasileiros. Que com certeza ficará marcado no coração e na alma do povo brasileiro, por onde quer que esse nobre casal missionário passou. Com certeza deixaram as suas pegadas na  pregação da cruz de Cristo e salvação de almas. Seja dentro das Igrejas Presbiterianas  do Brasil; Ou por  plagas  missionárias deste solo brasileiro, e  bem  como  nas areias desta vida missionária até  em  outros países. 

Em foto abaixo - 03 de junho de 1960. Paschoal Luiz Pitta e Maria de Mello Pitta, seguindo para Ponta Grossa Pr., onde no dia 6 de junho de 1960 ele faleceu. Local: aeroporto de Congonhas São Paulo. O avião era um DC3 da Real Linhas Aéreas. Fonte imagem facebook 2013.

Rev. Pascoal era detentor de uma sabedoria popular ímpar, e sabia cativar o seu povo, o povo de Deus.Ele era um grande educador e professor e pastor da vida. Era um homem do povo e apreciava declamar aos seus ouvintes os seus contos e casos, quando passava por uma Igreja os  seus contos animavam os irmãos, e  quando ia pelo interior desse Brasil querido em suas campanhas evangelísticas. Lembro-me bem de um caso,neste tempo eu era pastor presbiteriano e missionário designado pelo Presbitério de Ponta Grossa  para a cidade de Imbituva-PR.Contava-se este episódio em  quase todas as Igrejas Presbiterianas de Ponta Grossa e região; Fato esse que aconteceu em suas campanhas Evangelísticas lá no sertão da cidade de Castro-PR. Em meados dos anos  1950-1960.

Era uma tarde quente de verão e lá vinha Pascoal Pitta a pé, trajando  seu velho paletó e gravata  empoeirado pelas estradas do Fundão de Castro, e vinha de mais uma visita que fora feita a uma família que morava lá na roça, ficava lá no fundão perto do Mato Preto.E que  aliás,eu acho que o nome do lugar era a antiga Igreja do Fundão:Ou Igreja Presbiteriana do Fundão de Castro - PR. Era "um sol de rachar o bico" e a ESTRADA de Roça estava tão cheia de poeira que ao passar um automóvel já levantava-se uma grande nuvem de fumaça de poeira, era poeira que entrava nos olhos do caboclo e o deixava cego por instantes. 

--- Quando de repente ele avista um carro que vinha levantando a fumaça da poeira do sertão do Fundão  de  Castro. E quem vinha lá? Pasmem  irmãos!
--- E lá vinham no interior do carro dois padres com o seu Jipe novo;
E por acaso do destino nos diz o conto que os padres pararam e ofereceram carona ao Rev. Pascoal Pitta; Resolveram fazer uma gentileza ao nobre colega missionário presbiteriano:
- Mas os padres já advertiram diante mão em tom de gozação e  de sua gentileza tinha um preço o de sentar-se no meio de  dois homens consagrado e iam  dizendo ao Pitta:
---Nós  lhe Daremos a carona com uma condição - você deverá sentar-se no meio de  dois padres consagrados pela cúria da Igreja Católico Romana. 
Ou  Eles  queriam  dizer:
Alguém que não fosse um herege é o que eles queriam dizer de fato... 
De acordo;perguntaram os padres ao pastor? Sim de acordo, ele respondeu! Ele lá foram eles de carro  e em silêncio e ninguém dizia palavra alguma. 
--De repente um dos padres resolve quebrar o gelo do silencio e pergunta ao rev. Pitta: Como ele estava sentindo-se no meio de dois padres tão consagrados assim:
No que prontamente nos responde o rev. Pitta: 
--Eu na verdade estou me sentindo como Jesus Cristo no meio de  dois ladrões...?
Assim era o rev. Pitta sempre tinha uma resposta interessante e engraçada na ponta da língua para animar a parada. 
E Sempre tinha uma palavra amiga e mais um novo conto e causo, e mais uma piada que alegrava e distraia o povo sofrido de Deus que vivia lá pelas roças do Sul e do Norte brasileiro.No tempo do Brasil Agrícola.  
Quero  encerrar  essa  reflexão  com  as  palavras  do Evangelho. 
Disse Cristo Jesus aos seus discípulos quando no momento da morte de seu irmão Lázaro em Betania:
"Todo aquele que crer em mim ainda que esteja morto viverá..."
Sim, assim sempre será com todo aquele crer em Cristo.
-- Ainda que esteja morto em sua esperança...
---Ainda que esteja morto em sua fé...
---Ainda que esteja morto em alegria...
---Ainda que esteja morto em seu amor...
Com certeza viverá na saudade e na memória da Igreja de Cristo e  de todo  este povo brasileiro e presbiteriano  que, aprenderam a reconhecer e a amar esse casal missionário tão querido que passou por essas "plagas brasileiras" e vieram a serviço do reino de Cristo Jesus  nas  Igrejas  Presbiterianas de  todos  os seguimentos.  
Louvamos a Deus pela vida de  seu  pai e  de sua mãe.
Nossas lágrimas solidárias e que Deus abençoe a todos os familiares,amigos e parentes , a esta nossa irmã que desempenhou tão bem o seu papel de serva do Senhor, juntamente com seu esposo e pastor presbiteriano Rev. Pascoal Pitta.
pr.Alfonso Czaplinski 


Nobre colega:Agradeço sua destra de solidariedade. Deus por Sua graça especial não a deixou sofrer, deu-lhe uma passagem serena. Um abraço. Pitta

Um comentário:

  1. Gostei da história do Oscar Rickli. O senhor tem mais informações sobre o Martinho e soobre a igreja presbiteriana do atual Município de Turvo, distrito de Guarapuava até 1982?
    Orlando
    o-pilati@uol.com.br

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