quinta-feira, 15 de abril de 2010

MASSARANDUBA - HISTORIAS DA INFÂNCIA

 E naquele tempo não se tinha pressa, eram contos e causos  sem

 fim na noite a dentro.
Oh Senhor! Tu  tens  sido  o  nosso  refúgio 
de  geração  em  geração, antes  que  os 
montes  nascessem  e  se  formassem  a 
terra  e  o  mundo, de  eternidade  em 
eternidade  tu  és Deus ( Salmo 90:1-2 )
           
  Foto histórica - Familia  Czaplinski  reunida  na roça outubro  de 1985 
Foto  familia  Czaplinski  1985.
a)Da esquerda  para  direita; tio Vadek (falecido) 
b).Eu  Minha  filha  Ellen (2 nos)
c)Seguido meu  velho e  saudoso pai, seu  Estanismau (Stachek) falecido  em 86. 
d) E ainda meu  Irmão Felipe vivo, e) na sequência minha  irmã  Lúcia  com  o meu  filho Károl  Aleckson  ao colo, 
f).E por  fim vem  o  nosso  saudoso  tio  Júlio (falecido).

Sou nascido em Blumenau terra da bela e Santa Catarina.Sou Czaplinski mas fui criado em casa dos avós Odwazny,avos de família por parte de minha mãe.Relembro com saudades de meu pai e mãe:Do tempo em que se separavam.

Tinha dois anos de idade, pouca coisa consigo visualizar, mas algo ainda consigo pressentir? Dizia a nossa santa mãezinha em seu coração: Oh meu Deus ! Oh Meus filhos ! E Agora para aonde iremos nós...? Um anjo sussurrou-lhe mansamente ao ouvido dizendo: Vamos todos para a casa da vovo Casimira e do avô João Odwazny! E, com receio e humilhados para lá fomos nós...Seja o que Deus quiser! E com saudade confesso; nunca conheci a fundo o coração de meu velho pai...

Seu Stanislau e dona Juliana! Meu pai sempre foi um ausente no seio familiar, cheguei a conhecê-lo aos 22 anos de idade,Ele não permitia que a gente se aproximasse de sua pessoa.Mas acho que faltava uma coisa ao meu velho pai era o amor pela sua família. Minha mãe dona Juliana fazia o que podia para nossa sobrevivência! Com a ajuda dos avós, tios e amigos fomos criados, graças a Deus!Éramos quatro irmãos ao todo: Meu irmão Felipe, eu Alfonso e minhas duas irmãs a Genoveva e a Lúcia.As irmãs foram para a adoção: Minha irmã Guinha ( 4 anos) foi morar com uma tia em um local chamado Treze de Maio. Minha irmã Lúcia( 7 anos) foi morar com uma prima em Curitiba.

Minhas irmãs até os dias de hoje não conseguem perdoar a nossa mãe pela adoção aos parentes. Dizem as minhas irmãs:A nossa mãe Juliana nunca ia visitar-nos, se foi uma ou duas vezes dentro de um período aproximado de 10 anos. Assim a nossa família foi dividida pela separação. Seu Stachek nosso pai como era chamado pelos seus vizinhos, gostava de caçar, pescar, gostava também de trabalhar na roça.


Meu velho pai  gostava de fazer as festas de comemoração da colheita do arroz, feijão e do milho etc. E fazia a sua comemoração à moda dos índios, como dizia nosso pai. Não sei aonde ele tinha aprendido estas maneiras diferentes de comemoração e agradecimento, Era uma maneira rude de se dar Graças a Deus pelas colheitas; E em tal festa, tinha-se bastante explosões de foguetes e rajadas de balas de revólver, e  bem como dava bastante tiros com sua velha espingarda de pólvora e chumbinhos. E com todo esse foguetório de fogo, espantava os nossos vizinhos e que reclamavam do barulho.

Relembro a casa do nosso avo e  onde fomos morar após a separação de nossa família, a casa ficava  lá no alto do morro, ao lado de um Ribeirão de águas cristalinas. Onde eu meu irmão Felipe, o Acyr "Bado" nosso primo, o "mudinho Hay" nosso vizinho, e os nossos  colegas, que ora íamos brincando e correndo nas águas, e depois  íamos tomar banho de lagoa ou banho água de chuveiro de bica, ou uma água suspensa em uma canaleta de madeira, que jorrava com força e escorria com força sobre o nosso corpo. E depois íamos todos  correndo atrás dos patinhos novos que eram recém-nascidos.E foi neste "ribeirão do tempo" que tomávamos banho de lagoa nas águas . E depois íamos jogar bola no pasto no pasto do seu José. 
E depois se sobrasse tempo ainda, íamos todos  caçar passarinhos com o velho estilingue e bodoques que nos eram ensinados pela turma do seu José Stein que era um especialista em caças.

Relembro ainda, a plantação do canavial  do seu Bertolino que ficava ao redor de nossa casa. E ao longe, nas baixadas das "roizeras" ou roças de arroz do brejo, como era chamado pelos vizinhos, via-se a plantação do arroz  que brotava da terra e reverdecia ao longe, era uma bela paisagem verde que enchia os nossos olhos de esperança. E ao longe nos dava a impressão  de  uma bela grama verde que trazia a esperança de boas colheitas do ano. 

Relembro os velhos ranchos de engenho da cana de açúcar! Dos bois de canga,

os bois de canga e de trabalho, os bois de estimação do tio Júlio. O nome dos bois Estrelo e o boi Redondo. Tio Júlio era o seu candeeiro predileto. Relembro ainda as suas passadas quando ele ia a frente da carroça, E a velha carroça ia lentamente deslisando morro acima e ou morro abaixo carregada de cana, que era cortada em pedaços. E ia rangendo em seu eixo de madeira que não foi ensebado devidamente com óleo de sebo de boi. E assim íamos todos nós atrás do velha carroça que, lentamente subia morro acima para o seu trabalho. E todos Íamos cortar a cana, plantar aipim, roçar bananas etc. E a frente dos bois de canga ia tio Júlio feliz, ele ia bradando, e ia resmungando suas velhas canções; E dizia vez ou e a outra: 
Oi, Oi boi Estrelo! Oi, Oi boi Redondo! Seus bois de estimação.


Relembro do seu Bertolino  nosso vizinho homem que não gostava de nossa família, Sempre se tinha uma encrenca com ele, mas sempre se perdoavam...? Relembro com saudades de minha primeira namoradinha Béli, Oi Beli! E você ficou na saudade! Oi Beli você foi a minha primeira namoradinha dos velhos tempos de inocência; Você foi o meu primeiro morgado dos amores, Brincávamos juntos e juntos queríamos ficar, Mas o destino quis nos contrariar?

Relembro do tio Edmundo e de sua Ferraria, Todos os dias de manhã até a noite, Lá estava ele batendo no ferro frio ou no ferro cozido, e ouvia-se ao longe o seu barulho,Ele ia batendo com força em ferro frio, batendo em ferro cozido e ferro aquecido,coisas do tempo de ferreiro. 
E  quando ele ia controlando o fogo de sua caldeira manual, para aquecer o ferro frio em ferro cozido, e ele ia movimentando com o seu pé esquerdo, e depois trocava de pé, ia movimentando com seu pé direito, era o pé no pedal da pedaleira manual, ia revezando seu pé direito e, depois seu pé esquerdo para aquecer o ferro.

E assim ia aquecendo seu seu velho forno, Seu forno movido a pedaleira manual,Que fazia os assopros de alta temperatura, Fazendo os assopros para pegar fogo na carvoeira para que o forno ficasse bem aquecido, e cozinhasse o ferro-frio para se tornar em ferro-cozido, ferro temperado, e ferro fundido. E se tornasse em uma bola  de fogo, para temperar em uma boa ferramenta de agricultura. Que lentamente ia aquecendo com carvão o ferro para malhar. E inda na saudade vejo as faíscas saltando do seu forno aquecido a carvão. Estas faíscas ficaram na saudade dos velhos tempos, do tempo que não volta jamais.


               E  Olha ele aí, o famoso e velho rádio dos anos 1950,60,70,80...?


Relembro das noitadas que juntos íamos para a casa do tio Eko para se ouvir a "Voz  do Brasil" - E logo em seguida era transmitido famoso programa de cantoria do rádio,  que era transmitido pela rádio nacional de São Paulo. Logo após a voz do Brasil, Entrava em cena o programa especial, Era o programa de cantoria da dupla sertaneja Mais famosa do Brasil em nossa época foi a dupla Tonico e Tinoco,Teixeirinha etc.


Oh que emoção! Oh que saudades que dá! Mas, antes a gente deveria tratar todos os  animais de roça. E deveriam ser tratados a noite, era chamada de ração da noite para todos os animais domésticos. Deveria se dar a ração devida para os porcos do chiqueiro, Deveria se dar a ração para os cavalos, deveriam ser tratados com a ração  diária os bois, As vacas leiteiras estas deveriam ter uma ração especial, Caso contrário, Não se tinha o famoso leite e seus derivados do leite na mesa.

Oh que saudade que me dá! Relembro do nosso avô sentado na varanda,Olhando e apreciando lentamente as baixadas verdes do arrozal, na plantação do chamado de arroz do brejo. O arroz que reverdecia e enchia os olhos. Relembro das conversas e casos na varanda após a ceia,(janta)e lá estava o tio Antek, Lá estava o tio Júlio, lá estava o tio Tomaz, lá estava o tio José (o viajante), lá estava eu e meu irmão Felipe. E eram nove horas da noite! E na escuridão do sítio nada se enxergava; apenas a lua no céu. Pois neste tempo não se tinha as mordomias da eletricidade de hoje, Não se tinha a luz elétrica; Tudo se movia a base do velho lampião que acendia e funcionava  à base de querosene. E qualquer vento que assoprasse já apagava o  velho lampião:

E no silêncio da noite de repente alguém grita lá no velho portão, Oh Comotter ocze tutaj - Compadre venha cá:  Epa...! grita o tio Vadek! Lá Vem alguém...? Ouço alguém gritando e chamando no portão! Sim! Eu ouço alguém chegando lá? Lá no velho portão do pasto! Quem...? Interrompe o tio tio Júlio, Vejam lá vem o seu Lipinski! Vem turbinado pela sua cachaçada,Vem do boteco do seu Radwanski, E vem fazendo os zigue-zague na rua, E ele não conseguia achar o portão de nossa casa. Este era o nosso famoso visitante de roça, Nosso vizinho e contador de contos e casos que  morava no alto da colina. Mesmo assim nos transmitia aquela alegria, Alegria dos velhos tempos de roça, Que a gente não consegue explicar; Agora então, ninguém conseguiria dormir, Suas histórias e casos atravessavam a noite adentro. E ninguém mais tinha presa em ir para cama dormir, Suas histórias eram fascinantes, Ele animava a todos com seus contos e casos.

E em tempo de roça se tinha mais hospitalidade, mais camaradagem,as pessoas e as famílias, parece que eram mais amigas,mais prestativas,não se tinha a televisão, nem Internet, nem computador...? Que hoje em dia nos rouba o precioso tempo de folga, e que não temos mais tempo para conversar com os nossos filhos, com a nossa esposa e familiares em geral. A conversa na varanda da casa, assim passava-se o tempo nas noitadas afora. Que boa esperança que nos dava de dias melhores!

Falando em conversas e causos;o seu Lipinski era um especialista; ele era como se diz no ditado popular: ”Transformava o nosso ouvido em vista”. “Suas palavras eram contadas em figuras de linguagem”,que nos faziam delirar de emoção, agora então a gente sempre queria ouvir mais um caso,mais outra história, mais outra figura, mais outro comentário; Eram dez horas da noite,o homem estava falando,Eram onze horas da noite, mais conversas e rola-papo...rola-papo sem fim...? Ouvia-se os cachorros do mato uivando nos matagais dos morros,nos morros e colinas do Município de Massaranduba. E a lua cor de prata continuava cintilante lá no céu.E nesse momento todos já estavam bocejando,estavam de boca aberta, prontos para dormir, Mas ele queria falar e divertir o seu público predileto. 


Meu velho avô seu Janek Odwazny a pedido de seu Lipinski, agora deveria buscar a Santa Bíblia que era escrita em polonês, bíblia esta que datava dos anos de 1948 publicada pela Sociedade Bíblica polonesa, Era uma bíblia grande com bastante ilustrações, também era chamada de; História Sagrada, sagrada pelo seu conteúdo e sagrada pelo respeito que se primava. Agora então, não se tinha pressa mesmo, o seu Lipinski já estava um pouco melhor, Depois do seu “porre” de cana brava. Agora estava melhor, mas, nem tanto, Estava como se diz no datado: Estava mais ou menos...?

Mas parecia que o homem se transformava em um grande pregador, ficava muito animado ao ouvir  as histórias da bíblia, ele se transformava, meu avô lia ou recitava de cor na linguagem polonesa. Recordo ainda de uma passagem bíblica da qual ele muito apreciava: 


Era a história das dez pragas texto do livro de Êxodo da bíblia; E onde fala-nos sobre as dez pragas que Moisés lança sobre o Egito; Que mensagem! Que pregação boa,aqui parece que a “marvada pinga”não o atrapalhava em nada, muito pelo contrário,o deixava ainda mais animado para comentar e pregar. Ele não sabia ler, meu avô era o seu leitor e ele era o  seu pregador. Vale lembrar que nessa época não se tinha a luz elétrica por lá, a luz que alumiava a nossa sala nessa época era o velho e ensebado lampião a querosene, que lançava ao seu redor uma mistura de fumaça preta e luz, que lentamente ia queimando na sala e outro lampião estava bem ao centro da mesa na copa da cozinha. Que tempo animado! Que momento feliz que ficou na saudade!

E assim éramos todos nós...? E Assim somos nós, Assim sou eu nos dias de hoje? Sou o fruto dos meus velhos pais e avós, Sou fruto dos erros e acertos dos nossos parentes. E falando sobre essas comparações de gerações,e de tempos do passado que se foi, e do presente que ainda está preso em nossa memória; Creio que assim se expressa o Salmista dizendo: 
 Como é feliz aquele 
que não segue o conselho dos ímpios,
não imita a conduta dos pecadores,
nem se assenta na roda dos zombadores! 


Ao contrário, sua satisfação
está na lei do Senhor,
e nessa lei medita dia e noite.


Bem-aventurado é o homem que Não anda segundo o conselho dos ímpios. Mas será bem-aventurado com certeza Aquele homem ou aquela mulher que, Apesar de tudo sabe honrar, e sabe respeitar, seu velho pai e sua mãe. E fazendo assim como nos advertem e nos afirmam os santos Evangelhos dizendo: 


Terá paz na terra, terá vida longa e tudo lhe irá bem. Assim eu queria cumprir e honrar estes preceitos divinos, Mas se por acaso eu errei? Como sempre erro porque  sou um homem pecador, Peço que o Senhor me perdoe! Não sei se pude cumprir ao pé a letra estes santos mandamentos que a lei santa nos ensinou; Deus o sabe. Pois é certo o dizer do apóstolo Paulo: O bem que eu quero fazer esse não consigo; Mas o mal de que eu não quero praticar e nem fazer; Esse sempre estou fazendo.

Mas, uma coisa fiz creio eu? Fiz de tudo para obedecer os mandamentos! Foi nesta grande tribulação familiar, e que Deus em Cristo Jesus teve a sua grande misericórdia de mim pobre pecador! E assim deu-me o seu perdão, e deu-me a sua salvação. E foi assim que ele chamou-me para o seu trabalho de fé, testemunho e trabalho missionário. Hoje e sempre desejo servi-lo com fé, alegria e gratidão! Por isso eu digo: DEUS SEJA SEMPRE  LOUVADO  EM CRISTO JESUS !

4 comentários:

  1. Oi alfonso gostei da sua postagen muito bom para nossa reflecçao diaria dos tempos antigos boas lembranças da nossa familia nossos amigos tudo é saudades continua escrevendo abraços de seu primo bado a paz do Senhor.

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  2. Gostei como ele falou serio e bém claró vai o meus para bens ele e vai um abraço de Deus.

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  3. Meu nome é Edvirges, sou secretária da Escola.

    Li um texto seu e um nome me chamou a atenção.
    Você menciona o Sr. Lipinski que morava no alto da colina.
    Por acaso o nome desse senhor Lipinski? (era casado com a
    Malgosia. Pronucia-se Maugocha)
    Se for, trata-se do meu avô materno.
    (sou massarandubense também).
    Você pode me dar essa informação?

    Grata,
    Edvirges

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  4. Obrigada por responder ao meu mail.
    Legal isso!
    Meu avô faleceu eu era ainda criança, mas também tenho boas recordações.
    Meus irmãos falam muito dele, dizem q onde ele ia a festa era garantida e lembro também de muitos "causos"
    que ele contava.
    Ele morava com a minha mãe (Stanislawa), nos últimos anos (ja do outro lado da colina), mas lembro do lugar que ele morava
    antes. Transmitirei seu recado aos meus colegas.
    Abraços!
    Edvirges

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